“A simple attraction that reflects right back to me/ So I'm not as into you as I appear to be.” -Amy Winehouse
Não sei como a gente chegou naquele bar, o lugar não tocava música nenhuma então tanto faz. Não fazia frio nem calor e você pediu uma cerveja. Com poucos minutos de conversa reparei que seus olhos ficavam abrindo e fechando lentamente, como se você os esbugalhasse um pouco a cada frase com jeito de quem está surpreso com algo. Era intimidador, mas se eu não te encarasse por muito tempo poderia considerar uma espécie de charme, ou tique nervoso. Rimos de algumas coisas bobas, falamos de alguns conhecidos. Eu gostei da sua camisa.
O garçom trouxe mais uma cerveja enquanto a gente conversava e descobríamos gostos por coisas parecidas e algumas manias esquisitas em comum. Acho que te ofendi uma ou duas vezes como quem entra na defensiva. Vi que o seu cabelo se parecia com o meu, natural é claro.
Com três ou quatro cervejas tudo começou a fluir a gente foi forçado a perceber que o que se passava em ambas as cabeças era surpreendentemente parecido. Nossos cigarros começavam e acabavam ao mesmo tempo, assim também nossas frases se completavam. Me lembro de dizer que graças a você a humanidade estava salva, e que se eu fosse um cara, seríamos a mesma pessoa.
Depois que você passou pela minha vida meu amantes reclamam que eu fiquei distante. Você aparece no meu espelho de manhã enquanto me preparo pra sair. Meus amigos dizem que preciso me afastar, mas eu me afasto, me afasto, me afasto e te enxergo nas memórias em que você nunca esteve. Acho que eu gosto de mim, porque é onde você está. Acho que gosto de você, porque se parece com quem eu creio que sou. Agora que nos confundimos fico aqui me perguntando, quem somos nós?




