quarta-feira, 15 de abril de 2015

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Quem somos nós?

“A simple attraction that reflects right back to me/ So I'm not as into you as I appear to be.” -Amy Winehouse

Não sei como a gente chegou naquele bar, o lugar não tocava música nenhuma então tanto faz. Não fazia frio nem calor e você pediu uma cerveja. Com poucos minutos de conversa reparei que seus olhos ficavam abrindo e fechando lentamente, como se você os esbugalhasse um pouco a cada frase com jeito de quem está surpreso com algo. Era intimidador, mas se eu não te encarasse por muito tempo poderia considerar uma espécie de charme, ou tique nervoso. Rimos de algumas coisas bobas, falamos de alguns conhecidos. Eu gostei da sua camisa.

O garçom trouxe mais uma cerveja enquanto a gente conversava e descobríamos gostos por coisas parecidas e algumas manias esquisitas em comum. Acho que te ofendi uma ou duas vezes como quem entra na defensiva. Vi que o seu cabelo se parecia com o meu, natural é claro.

Com três ou quatro cervejas tudo começou a fluir a gente foi forçado a perceber que o que se passava em ambas as cabeças era surpreendentemente parecido. Nossos cigarros começavam e acabavam ao mesmo tempo, assim também nossas frases se completavam. Me lembro de dizer que graças a você a humanidade estava salva, e que se eu fosse um cara, seríamos a mesma pessoa.

Depois que você passou pela minha vida meu amantes reclamam que eu fiquei distante. Você aparece no meu espelho de manhã enquanto me preparo pra sair. Meus amigos dizem que preciso me afastar, mas eu me afasto, me afasto, me afasto e te enxergo nas memórias em que você nunca esteve. Acho que eu gosto de mim, porque é onde você está. Acho que gosto de você, porque se parece com quem eu creio que sou. Agora que nos confundimos fico aqui me perguntando, quem somos nós?



quinta-feira, 9 de abril de 2015

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O dia que a gente não se beijou

Não sei ser prática. Me desespero ao ver anúncios de acompanhantes em jornais “loira, 1,60, bumbum empinado”, ficaria completamente perdida se tivesse que me descrever assim de forma tão delimitada. Eu não sou complicada. Talvez fique um pouco cansativa quando começo minhas divagações, mas se prestar um pouco de atenção você consegue me entender e até se interessar pelo o que falo. Porém essa é uma história muito simples pra eu enfeitar com minhas firulas linguísticas: é sobre o dia em que a gente não se beijou. Você me recebeu na porta, disse que eu estava linda com aquele vestido e talvez eu tivesse me arrumando pra você ou não (nós nunca saberemos. Se eu disser que não, meu subconsciente pode me trair, mas se eu disser que sim, me sinto culpada por ter me preparado e não ter te beijado mesmo assim). Então eu subi, lá estavam todos seus amigos e até sua irmã. Eu também era uma amiga ali, nós sempre fomos amigos ou essa me parece a distância que você impõe quando há alguém além de nós dois. Mas ninguém se beijou, porque eu estou num relacionamento complicado, porque estava frio, porque havia outras pessoas ali, porque acabou a cerveja e você teve que sair pra buscar porque, porque, porque... Por que eu não sei mais da sua vida?


quarta-feira, 25 de março de 2015

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Vó Bisca

Acredito que todo mundo tenha algo que guarda só pra si, algo do mais obscuro da alma que não dá pra dividir com mais ninguém. Ou talvez você prefira guardar das pessoas que você ama pra não machucá-las ou causar dano. Eu, como não sou diferente do mundo, tenho meu segredo, mas hoje vou dividi-lo aqui: Eu sou uma velha safada.
Na verdade eu sempre fui uma pessoa safada mesmo. Quando meu marido era vivo vivíamos pelos cantos engalfinhados e meus filhos cansaram de pegar o pai e a mãe no flagra. Amorzinho gostoso é pra quem não sabe trepar. Eu era moderninha desde antes do termo existir porque meu corpo pedia então que culpa tinha eu? Sempre gostei duma coisinha diferente, um tapinha aqui, uma dedada ali... coisa que se fosse hoje seria chamado de liberação sexual, mas que só se aplica pra gente nova. Não sei exatamente em que ponto da minha vida eu deixei de ser a mulher moderna e independente pra me tornar a personificação da vó Benta, mas algo em mim não aceitou a ideia de que a partir dali eu só servia pra fazer bolo e contar história. Cada vez mais eu ouvia meus filhos dizerem “Mãe, a senhora nem tem mais idade pra isso.” É como se quando seu cabelo começasse a embranquecer eles te entregassem a cartilha de normas e condutas da velhice: viadagem, tatuagem e putaria não pode mais.
Aos poucos, por pura convenção social e pra não incomodar minha família fui me moldando num perfil de boa vovó, meus netos chegam e sempre tem pão de queijo quentinho. Só que por dentro eu não me conformava e o fogo só aumentava E numa noite de muitos pensamentos lascivos resolvi pesquisar na tal da internet e achei meu primeiro garoto de programa. No começo era estranho, mas de alguma forma a rotatividade de meninos e toda aquela vivacidade só estimulavam meu tesão. Fiz muita baixaria, porque é assim que eu sempre gostei.
Com o tempo fui me aprimorando em todo tipo de perversão, fiz até minha própria coleção de brinquedinhos, pobre de quem vasculhar meus baús quando eu morrer. Tem pinto de plástico, roupa de látex e uns chicotinhos, você pede na internet e eles entregam direto pra você. Mas decidi que fazer tudo isso na minha casa, em algum momento, levantaria suspeitas dos vizinhos e poderia expor meu segredinho. Foi ai que passei a frequentar hotéis, com o dinheiro da minha aposentadoria de quem trabalhou toda vida pra custear seus prazeres. Todo domingo, depois do almoço, espero minha família ir embora e fujo pro meu hotel onde um meninão já me espera. Às vezes, quando já não estou me aguentando de desejo expulso todos de casa com o pretexto de que vou à igreja rezar. Fazer o que? Igreja é a válvula de escape do velho.
Sabe, é muito doloroso pensar que partir de uma certa quantidade de rugas a sociedade passe a negar seu desejo sexual que, assim como você, ainda não morreu. Dizem que a idade está na cabeça da gente mas eu discordo, tá nos olhos de quem vê. É mais cômodo olhar minha expressão afetada pela idade e pensar em biscoito embora eu veja uma biscate. Só que hoje em dia eu já não me culpo nem me revolto, sei que minha vingança vai chegar. Se por sorte (ou a falta dela) todo mundo chegar na velhice e não poder mais foder vai ser ai que eu vou querer estar em algum lugar só observando e morrendo de rir.


quarta-feira, 30 de julho de 2014

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Oh, você é a raiz que dorme em baixo dos meus pés e segura a Terra no lugar

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Eu gosto demais de você. E essa história é sobre quando eu me descobri que gostava demais de você. Quando eu me toquei que você tinha que ser uma parte de minha vida. Então, eu e você estávamos andando por Londres certo? E bem bonito e tal. Nós vimos aquele galo gigante (SUPER ASSUSTADOR!!!!) e a gente entra naquele museu em que eu já havia estado milhões de vezes antes e me parece o mesmo de sempre. E você anda por lá e começa a me falar sobre as pinturas, e é lindo. Eu podia ouvir em sua voz a empatia com os quadros, o que era ainda mais bonito. Você saiu andando maravilhada e eu me sentia tão bem que queria chorar – pra alguém que teve sérios problemas emocionais, aquilo era algo que eu não sentia em muito tempo. Pensei que ficaria triste no começo, isso acontece algumas vezes quando não consigo me conectar com as pessoas, eu fico triste. Mas na verdade eu estava feliz, por estar com você. E foi isso.
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Okay, então minha festa de aniversário terminou agora, uma festa quase de verdade, com quase toda a família. Mas o ponto é: tudo acabou, e esse é o motivo pelo qual eu não queria uma festa de aniversário ou algo do tipo por que isso termina e no fim, eu fico aqui, sem você. Eu queria que todos que eu conheço te conhecessem, que você talvez vivesse só um pouquinho mais perto. Mas nós somos especiais, eu e você, nós somos a cura pra doença um do outro e é por isso que eu sinto sua falta essa noite. Não estar ao seu lado e toda essa merda. E amanhã minha cabeça certamente vai doer. Mas nós vamos conseguir. Nós temos que conseguir.
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Estou tão feliz porque você vem. Eu vou te cozinhar o jantar e te beijar e te abraçar e ouvir The Kinks e deitar no chão e te beijar e Kinks e chão e jantar.
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Você teve uma dor de cabeça. Está dormindo no andar de cima. Eu tenho algumas confissões a fazer.
1-Tenho estado doente há tipo, 650 anos, bem mal do estomago. Tentei ficar bom, mas, não acho que as coisas funcionem assim.
2- Eu não tenho materiais básicos para construir um forte e te proteger. Isso machuca meu coração.
3- Eu quero ficar bem bêbado, mas não posso. Como eu disse, mal do estomago.
4- Acho que você quebrou meu pau?
5- Sim, você quebrou meu pau.
6- Acho que você vai continuar quebrando meu pau.
7- :(
8- Eu ando tendo pesadelos com aquela lagosta que você comeu no restaurante chinês ontem à noite.
9-Eu acabo de pensar em uma ótima pegadinha envolvendo seu facebook mas você provavelmente vai ficar brava comigo então não vou fazer isso.
10- Eu vou fazer isso.
11- Eu fiz
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Meu Deus! Você é linda em todos os níveis. Sim você é. Eu continuo andando pela casa lembrando de tudo o que você fez enquanto estava aqui, e eu estou feliz. Não há nenhuma tristeza. Como eu poderia estar triste quando há algo existindo que me faz sorrir – como um imbecil – todos os dias. O que é bom, pois como meu pai te disse, “Ele nunca sorri”.


terça-feira, 24 de junho de 2014

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Sobre o eterno retorno

No dia 23 do último outubro eu voltei a acreditar em romance. Pelo resto da minha vida eu vou voltar para aqueles corredores de um hostel em Amsterdã e reviver tudo de novo por mais desgastada que a história possa estar. Eu sempre vou chegar cansada do museu de Van Gogh, e vê-lo sentado no chão de moletom surrado bebendo whisky e tocando violão com um monte de desconhecidos, só Deus sabe quantas vezes já revivi o “sim” que eu disse quando me convidaram pra se juntar a eles. Eu sentei ao lado do cara mais bonito que meus olhos já viram e pensei em um português cético “ele nunca vai me dar moral”. No dia seguinte ele me deu o primeiro beijo sob o sol outonal do Vondelpark. Ninguém nesse mundo era mais satisfeita. 
 Eu fui forçada para dentro da idéia de romance. Empurrada. Obrigada. Condenada. E por mais que eu tentasse fugir lá vinha a vida e dizia “eu nunca mais vou te presentear com um conto de fadas tão elaborado, então aproveite”. Quando nós nos separamos pela primeira vez ele havia construído um forte de colchões e disse “eu construí esse forte, agora você pode ficar aqui comigo e não precisa ir embora”. Eu chorei até chegar a Londres. Da segunda vez que nos despedimos eu me agarrei aos lençóis da cama, ele me deu um beijo na testa e disse “não chora, eu vou voltar”. Eu chorei de volta a Paris. E chorei voando pro Brasil. As lágrimas só cessaram quando eu percebi que era verdade. Ele voltou meses depois. Decidimos que ficaríamos juntos e eu ouvi “eu te amo” pela primeira vez, com aquele sotaque mais lindo. 
 Mas é fácil acreditar em romance nas ruas encantadas de Amsterdã, de mãos dadas em frente ao rio Tamisa, caminhando por Copacabana. Difícil é acreditar nisso tudo quando a camiseta que ele esqueceu aqui perde o perfume. Quando são 4 horas da manhã numa balada e você está bêbada e sozinha numa mesa no canto e tem um cara interessante-por-efeito-do-álcool te dando bola. É aí que eu fecho os olhos, respiro fundo, e volto a Amsterdã. Volto pra ele. Eu sei que não importa quanto tempo passe, quantas pessoas eu conheça e até mesmo quantos romances eu viva: Eu vou me lembrar da nossa história. Mesmo que meus filhos não sejam dele, e que eu viva outras centenas de coisas belas: É do sentimento que eu não vou me afastar. Porque ele me fez compreender o que é fidelidade, e me manda e-mails de madrugada dizendo que eu sou o mais perto que ele já chegou da alegria que sentia na infância, e graças a ele é tão mais fácil acreditar no amor.


terça-feira, 17 de junho de 2014

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Falando de moda, Arezzo, Longchamp, Alexa Chung

Já faz um tempo que eu não posto nada, nem textos melosos no blog, mas hoje estou aqui pra tentar falar de algo um pouco mais legal. Aqueles que me conhecem sabem que moda é um dos meus assuntos favoritos, eu sou a princesa da feira da moda em Palmas (evento que ajudo a promover), piolhinho da Zara, e me enfio até mesmo em brechó beneficente. Então, honrando minha futura formação jornalística resolvi juntar a fome com a vontade de comer para escrever sobre o que eu gosto. Estava eu desavisada caminhando por solos Palmenses quando me deparo com a nova coleção de inverno da Arezzo. Sim, a maior loja varejista de calçados na América Latina arrasa novamente com (mais) uma coleção maravilhosa.

 
(Brechós em Paris, fazem jus a minha cara de: MEUDEUSDOCÉU.)

Trazendo o cow print, a seção coloridíssima homenagem a copa (Brasil. Te amo!) e Fernanda Lima como garota propaganda a coleção também aposta em peças que mesclam dorado e preto, uma combinação e tanto! Além disso plataformas vermelhas, metálicas e pretas encantam os olhos daquelas mais extravagantes, ou seja, é claro que eu não saí de lá de mãos abanando.
(Como diria Ellie Goulding "I wanna be next to you, Black and Gold".)

(Fernanda lima vai a loucura com SAPAAAATOOOOSSS.)

(Meu mais novo amor, salto de aproximadamente 14,5 cm! Yeeeey <3)

Mudando de hemisfério, enquanto por aqui surgem as novas coleções outono/inverno na Europa a francesa Longchamp lança sua coleção de primavera com suas bolsas e sapatos glamurosos. Mas o diferencial da campanha não fica apenas nos produtos, mas também na nova garota propaganda da marca, Alexa Chung. Não há palavras que descrevam a beleza e naturalidade de Chung, incomparável à qualquer outra. Correndo de sapatilhas pelas ruas de Saint-Tropez sua beleza traz mais cor a França, e reitera outra uma vez, ela é a modelo do século!



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

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Após o ápice

Durante as chuvas de verão ela vem parar em meu apartamento. Na verdade uma kit net na Augusta barulhenta, órgão pulsante de São Paulo. Em frente, oscilantes neons vermelhos anunciam uma boate de stripers. Quando é dia e a garoa paulista se transforma em dilúvio, ela para na janela, fumando um cigarro de filtro vermelho, vestindo minha camiseta e calcinhas velhas sempre reclamando da vida no interior, dos vacilos amorosos, da carreira falida e dos orgasmos muito corridos. Nunca aprecia nada se não estiver bêbada demais. 
 Eu roubo um trago e continuo a observando. Algo em mim procura pela adolescente mágica perdida na cidade grande em seu primeiro dia de universidade. Astrologia, Europa, mixtapes, Sartre, grunge, culinária japonesa, êxtase, ácido, budismo, cerveja quente, Bob Dylan, Godard, maconha, literatura norte-americana e expectativas. Agora tudo morto e bem enterrado. O curso terminou e ela nunca se estabeleceu, talvez por querer demais, e tudo ao mesmo tempo. Voltou pra casa da vó que ainda age como se ela nunca tivesse crescido e nada é o bastante para tirá-la desse circo de horrores. Seu modo de vida samsárico feito de sonhos e medo. É isso que eu escuto toda vez que ela faz de minha casa seu consultório psiquiátrico e suíte de motel. 
 Cada ano me torno mais imune a suas lamúrias de veraneio. Na verdade, acho que eu nem a escuto mais. Mas adoro o que vejo, ela é sexy e triste, os mamilos rijos porque está começando a esfriar. O sexo desesperado, gritos, suor, lençóis e roupas espalhadas, reflexo de sua urgência por ser salva. Salva de que? Salva de quem? Obviamente de si mesma. Enquanto penteia os cabelos sua fala se torna mais selvagem, e eu me certifico de que não a amo mais, e que hoje ela não passa da imagem anual em minha cama. E como uma criança que se desilude em esperar pelo papai Noel, todo ano sua volta inspira cada vez menos entusiasmo. Mas não se engane, o furacão sempre deixa marcas mesmo que cada vez mas tênues. Apesar de tudo, ainda levo dias para tirar os fios loiros da minha escova.