sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

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Cartões postais de lugar nenhum

"Eu te manterei trancado em minha mente
Até nós nos encontrarmos novamente."
Pink - Who Knew


2009. O ano em que você se foi. Entrou naquele ônibus na rodoviária de uma cidade qualquer no interior de São Paulo, e se virou pra mim dizendo: ‘’Eu vou voltar... eu volto.”
E eu toda sorridente, segui minha vida crente que em quinze dias estaria ao seu lado novamente. Se foram dois anos e meio desde então. E eu nem mesmo sei onde você está, se está bem, se continua bebendo demais, se come macarrão instantâneo quando volta das festas de madrugada. Simplesmente se enfiou nessa maldita cidade no sul do Brasil e agora eu não sei nem mesmo se você continua nesse país tropical ou se caminha lentamente tragando seus cigarros pelas ruas de algum lugar na Europa.
Uma vez, você fez uma ligação de Porto Alegre, disse que estava tudo bem e perguntou se dava pra mandar uma grana. Como sempre recorrendo às pessoas que você sabe que não te abandonarão. Mas agora sei que essa questão de abandono é muito relativa, não é? Eu, por exemplo tinha certeza que você nunca faria algo assim comigo. No entanto, eu te escrevo cartas que não sei para onde enviar, simulo telefonemas que nunca serão respondidos. E sonho, sonho muito com sua cara lerda dizendo que não provocou ninguém e que te deram um soco no olho sem o menor motivo.
Eu ando precisando tanto de você cara. Esses dias mesmo, eu estava numa cidade ribeirinha, tinha rodeio lá e eu queria ficar até mais tarde bebendo na rua mas ninguém queria me acompanhar. Eu fui pra casa praguejando e pensando que você não me deixaria na mão, pelo menos não quando se trata de cachaça. E teve ontem também. Quando todas as gerações da família se uniram numa cumplicidade silenciosa de quem acompanha a mesma idade cronológica, e eu fiquei lá sozinha, com meu copo de espumante barato, bebendo e pensando em você. As crianças corriam e brincavam de pique - esconde. Os pré-adolescentes fofocavam na boatezinha improvisada, e eu assistia a tudo sem saber se brinco, fofoco, ou simplesmente enturmo com alguém e respondo às mesmas perguntas repetitivas sobre a faculdade e família.
Deus sabe o quanto eu te amei. O meu primo, irmão, braço direito, pedaço de mim, parceiro de fuga. Deus também saber o quanto eu te esperei e espero... pelo resto d a vida se preciso for. Eu vou te esperar, seja para brincar de Barbie e Ken, ou para tomar um porre no fim de semana. Temos alguns dos velhos planos mirabolantes para realizar. Nós ainda vamos morar juntos e eu vou batizar sua primeira filha. E um dia vou voltar a acordar com você se jogando em cima de mim, e vamos segurar a cabeça de um enquanto o outro vomita. Teremos novidades na vida, mas também manteremos os antigos costumes. Enquanto isso, o seu lugar no meu coração continua em branco, como as fotos dos cartões postais que você não me envia mas finjo receber. Como o vazio que você deixou, quando foi embora levando na bagagem a jaqueta de couro do meu pai e todos os nossos segredos.

To Vini


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