segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

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In sônia

Há dois dias uma velha conhecida voltou a minha casa. Eu deito em minha cama e ela senta no meu peito, me chacoalho tentando mandá-la embora o que faz com que jogue seu peso ainda mais contra meu corpo, me pressionando também a cabeça. Fica me seguindo pela casa como um cão sem dono. Se eu sento no sofá faz questão de sentar ao meu lado, se eu pego o controle remoto ela passa a programação por vários minutos sem escolher nada. E de repente o sol começa a nascer, coloco minhas roupas, encho a cara de maquiagem ponho no bolso meu velho sorriso afetado e lá vou eu outra vez, rumo a outro dia de trabalho. E não importa o quão cansada, esgotada ou bêbada eu esteja, ao chegar em casa lá está ela. Algumas vezes traz os amigos, uns me fazem chorar e me tiram a fome, outros me amedrontam ou deixam com raiva e assim começa a nossa festa noturna para qual não queria ser convidada. Assim, com o dia cheio e a noite em claro tenho mais tempo pra pensar em todas as minhas dores, enumerá-las, enfileirá-las em ordem alfabética e emoldurá-las na parede. Lembrar é aquilo que minha memória cansada não é capaz de fazer durante o dia mas tem um prazer enorme durante a nossa festa particular. A voz dele passa na minha cabeça repetidas vezes até que todas as palavras percam sentido. Se é que havia algum. Me levanto, vou ate a cômoda e abro a gaveta. O único problema é que com essas pílulas eu não posso beber.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

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Nota sobre o natal

Enquanto todos estão preocupados com a ceia de natal
Eu penduro luzinhas pelo aparador junto às fotos 
Que é pra iluminar o rosto dos parentes e amigos 
Caso apaguem a luz 
Alguém ficou responsável pelo peru, outro pelo arroz 
Minha prima mais nova vai apresentar o namorado 
Todos se perguntam como o vovô vai reagir
E esse ano? Quem vai se vestir de papai noel? 
Todas as crianças estarão esperando 
Enquanto todos se preocupam com os detalhes do natal 
Tudo o que eu queria era passar a noite acordada 
Ao seu lado


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

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Isso não é mais uma história de amor

Franklin, porque você está tão distante? Suas cartas já não tem o mesmo entusiasmo. O que o destino reservou pra gente meu bem, é um grande fiasco. O tempo passou e eu não consigo mais enxergar seus grandes olhos verdes fixos nos meus enquanto tudo o que eu tentava era desviá-los. O que está acontecendo? Eu tenho medo que eu venha a esquecê-los para sempre. Eu tenho medo de esquecer seu sorriso, sua voz, e o parque e as folhas caídas no chão. Eu tenho medo que tudo aquilo tenha sido mentira. Por isso eu escrevo Franklin, por isso eu escrevo todos os dias, eu não me canso de escrever. Afinal, isso não é mais uma história de amor, se tornou um portfólio de lembranças que nunca, nunca se repetirão. Querido eu não tenho mais forças pra me levantar do chão. Estou doente, machucada, cansada como ave atropelada, como soldado ferido em batalha. Não consigo mais listar o nome dos amores que se acabaram e você foi o último Franklin, eu não quero mais ter de enumerar ninguém. Não posso mais me encarar no espelho porque meus olhos tocavam os seus e tentavam desviar. E é por essas e outras que isso deixou de ser uma história de amor, se transformou num grito, uma súplica por socorro. Eu estou perdida coração, a deriva em memórias desconexas do que realmente aconteceu e do que eu criei em minha mente fértil. Tudo lembra você, tudo se parece com você, mas nada realmente é. E é dentro desse oceano que eu me encontro, nado pra me salvar, nada pra me salvar. E como você vê, isso nem se parece mais com uma história de amor, é tão amorfo, abstrato. Meus cabelos estão ressecados e o brilho dos meus olhos nada mais é do que a luz refletida nas lágrimas por cair. Eu choro Franklin, choro porque a tristeza me liberta de qualquer prazer. Pois é como se a cada momento de prazer eu o visse levantar, calçar os sapatos e partir mais uma vez. Meu coração não suportaria outra partida. Dói como um soco na boca do estomago, e eu ouço seus passos enquanto agonizo no chão gelado. E sem você por perto eu também estou distante e isso não é mais uma história de amor, se é que algum dia foi.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

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Pobres na Europa: A ficha caiu

Há cerca de um ano atrás, sentados numa mesa de bar divagando sobre a vida, eu e meu amigo Alechandre Samir (árabe, hipster ou mendigo?) decidimos nos aventurar pelas terras desconhecidas do Velho Mundo. Do dia da decisão em diante, depois de muito vai-não-vai, passaporte vencido e “que tal a Califórnia?” finalmente paramos numa agência de viagens e compramos passagens para desembarcar justamente na cidade das luzes. Mas da compra das passagens até o dia da grande viagem ainda se passariam seis longos meses, então eu e o Habbib simplesmente deixamos isso pra lá e fomos trabalhar pra ver se descolaríamos alguma grana pra tornar o sonho em algo mais tangível. Não é que o tempo se passou mesmo?
                                             (Na fila pra pagar a "borseta" né Shake Árabe?) 

 Agora, faltando um mês pra nossa viagem, o meu querido amigo hipster miscigenado (escolha feita após árdua enquete no twitter) se desesperou e começou a planejar as coisas pra nossa viagem enquanto eu apenas reclamo. Para a escolha da rota, ele me levou um mapa da Europa com o preço do transporte tudo muito organizado e bonitinho que eu fiz questão de rabiscar e destruir fazendo minha própria rota, que mais tarde, seria boicotada pela falta de recursos (a neeeem, Itália é mesmo muito cara???). Na hora de escolher o hostel em Paris foi uma chatice sem tamanho, enquanto eu procurava por um lugar com bares a menos de 50 metros ele procurava boa localização e conforto, tudo isso pelo preço mais acessível possível. Depois de tanto procurar, eu já estava implorando pra ficar em qualquer lugar (até naquele hostel cuja reclamação de clientes eram carrapatos nas camas) finalmente entramos em um consenso e optamos por ficar perto da Amelie Poullain e adivinha só? Ele pagou as reservas.
                                            (Correndo maratona pra acostumar com o peso)

O Alê é o animado que planeja tudo, eu a chata que não faz nada e ainda fica reclamando. O máximo que fiz foi anotar uns brechós pelas Zoropa que tem umas roupas legais e baratas, enquanto isso ele pensa na hospedagem, alimentação, transporte, museus, pubs... essas coisas que eu provavelmente improvisaria faltando menos de uma semana. Enquanto meu namorado reclama do tempo que vou passar longe, meu pai faz mil recomendações e minha mãe pede perfume eu tento me situar e me dar conta de que daqui a pouco vou estar longe de casa com pouquíssimo dinheiro. Acho que é esse o espírito da coisa né? Um pouco de aventura pra dar uma mexida nessa minha rotina faculdade > trabalho > casa > boteco. Sabe quando fui me tocar de tudo isso? Esses dias mesmo, quando fomos comprar as mochilas e elas eram grandes demais pra caber na sacola da Centauro e a gente teve que andar o shopping todo com aquilo nas costas. A sorte foi que uma promoção relâmpago nos poupou cem reais das mochilonas de 80 litros que nos custariam 400 pilas. É hipsterzinho, ta chegando, ta preparado?
(Eu linda com a mochila nas costas que é quase do meu tamanho pois possuo míseros 1,56)


terça-feira, 10 de setembro de 2013

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Morno

Apesar de soar estranho era uma quarta meio nublada de setembro. Acordou com um telefonema da sogra, já eram oito horas, horário marcado para a última prova do vestido. A última vez que o vestiria antes do grande dia. Na pressa colocou a primeira roupa que viu na frente, escovou os dentes rapidamente e calçou os chinelos que estavam perto da porta. Elas se encontrariam na frente da loja e ela sabia que a mãe de seu futuro esposo não era muito tolerante com atrasos, assim criara os três filhos incluindo aquele que se casaria com ela em poucos dias. Um rapaz bom, formado, trabalhador, de família abastada, justamente o sonho de toda garota de classe média, o par perfeito, tão clichê quanto rosa para moças e azul para rapazes. Todos os dias sua avó fazia questão de frisar a sorte que ela tinha de encontrar um relacionamento tão sereno e garantido no mundo de hoje, esses eram justamente os pensamentos que ela procurava evitar. 
Parando em frente à loja, avistou a sogra já dentro do estabelecimento esboçando um sorriso irônico de contrariedade enquanto olhava acusadora para o relógio. Era um dia muito tranquilo para qualquer questionamento então decidiu relevar e cumprimentar com um abraço. A vendedora, já com o vestido em mãos a instruiu para entrar no provador e se despir para a prova final. O vestido dos sonhos, meses de escolha e esse parecia o detalhe mais importante do grandioso casamento. A família do namorado não queria que ela alugasse um vestido qualquer, mas comprasse aquele que ela vira em seus sonhos de menina. Depois de tanto pensar optou por um modelo com saia muito volumosa de tule branco, corpo tomara que caia de cetim, e uma grinalda com pequenas flores salmão que contrastavam com seus cabelos e a fazia parecer mais com uma princesa da Disney do que uma simples noiva. 
Já com o vestido a vendedora ajustava o corpete e lhe dava dicas de como fazer seus seios parecerem maiores. Saiu do provador, a luz em frente ao espelho da sala de provas mais parecia um holofote. Todos se viraram para olhar, alguns exclamavam que ela era a mais bela noiva já vista. Sua sogra numa voz muito fina e estridente soltou um “Você está maravilhosa” seguida de uma palma de admiração. Aquilo fez seus tímpanos sangrarem. Ela calçava os chinelos baixos que faziam a barra arrastar de leve no chão, a vendedora perguntou o numero que calçava e foi em busca de saltos para simular o dia do casamento a deixando com a sogra que falava ininterruptamente de como seu filho iria se emocionar e muitas outras coisas que ela mal ouvia, mas aumentavam um desespero crescente. 
 De repente tudo se apagou. Em sua mente era apenas ela, o vestido, o espelho e o holofote. Seu coração agora batia como uma orquestra sinfônica e sua respiração era como um trompete desafinado. Antes que a vendedora voltasse apanhou sua bolsa e mirou a porta de saída. Numa espécie de soluço abafado murmuro uma desculpa e saiu correndo em direção ao carro tentando alcançar as chaves dentro da bolsa. Lá fora uma leve garoa começava e já dentro do carro tentava discar um numero no celular com as mãos tremendo numa velocidade que invalidava sua coordenação motora. De que adiantava apagar o numero que se tem de cor? Do que adianta os anos se passarem, conhecer pessoas novas, viajar o mundo em mil tentativas mal sucedidas de esquecimento se o que a unia àquele outro homem era muito mais intangível que era impossível de destruir. Finalmente a voz do outro lado respondeu. 
_Alô.
_Onde você está? 
_No bar do Elso porque? 
Acelerou o carro, seus pensamentos não se organizavam muito bem, porém ela sabia... Há certas coisas que as palavras não explicam, e o silêncio muito menos. É tudo aquilo que você engasgou e não disse, que te disseram e você concordou sem querer, que te ensinaram e você fingiu que aprendeu. Aquilo que passou da hora, mas não morreu. Já na rua de cima do bar o movimento de carros não permitia maior aproximação. Estacionou como pode, saiu do carro e correu, correu, correu. Uma mão segurava o vestido e outra a grinalda com o véu esvoaçante em sua cabeça, quem passava por lá não conseguia ignorar, tão clichê quanto boneca para meninas e carrinhos para meninos. A garoa engrossava, a lama fazia os chinelos escorregarem e sua barriga doía. Quem chegou ao bar não era a magnífica noiva do bom moço mas a noiva que ela queria ser. Numa mesa no canto um vagabundo com pose de bad boy a encarava. 
 _Me vê um copo por favor. 
Se a cerveja está gelada e o amor é quente, que assim seja.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

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Azedume

Desligou o telefone. Na mente dela não havia muito além das coisas ruins que ela vinha fazendo nos últimos dias e a uma frase remanescente da voz no telefone que disse algo sobre seu café da manhã ainda estar em seu estômago apesar dela já ter almoçado. Aquela voz não queria machucá-la, o problema não é o que os outros dizem, mas o que ela faz com o que escuta. Pegou uma garrafa d’água na geladeira e se sentou em frente ao inimigo. As paredes sujas, o cheiro do banheiro e a porta trancada. Do quarto ecoava uma música muito tenra, uma canção de Cohen que contava a detalhes de outro amor mal resolvido enquanto ela encarava sua paranoia a encarando dentro do vaso sanitário ‘’And clenching your fist for the ones like us who are oppressed by the figures of beauty...’’. Pensou na Joplin,se ela realmente se sentia mal consigo mesma e se aquela música foi mesmo escrita para ela aquele foi um dos romances mais intensos e passageiros que o Chelsea já presenciou. Enfiou os dedos na garganta, no começo o incomodo era grande e os olhos marejavam de lágrimas, depois se acostumava com o vomito rápido e certeiro enquanto as lágrimas involuntárias escorriam pelo nariz. Ela não chorava, não tinha motivos, não naquele momento. Ela punha pra fora seu desespero, sua urgência, se Deus existia ele sabia QUE ELA NÃO ESTAVA BRINCANDO. Queria gritar, queria colocar para fora muito mais do que o que tinha dentro. Queria vomitar os anos de tentativa, as promessas não cumpridas, os planos falhos, tudo o que nunca chegou a ser e cada vez que o gosto azedo a tomava a boca ela tinha mais certeza de que queria morrer. Ofegante respirava abraçada ao vaso sanitário. Suas mãos gosmentas e fedidas com sua própria baba, baba porque saliva era muito bonito para o que se via ali. Encarou o interior do vaso, aquele bolo de comida que já não se distinguia mais, assim como sua cabeça confusa cheia de incertezas. Levantou-se do chão, os joelhos vermelhos e doloridos, o som da descarga se confundia com a suave canção de fundo. Estava se acostumando novamente com aquela velha rotina. A voz do telefone já não dizia nada. Bem, que se dane, pelo menos agora meu café da manhã não está mais no meu estômago.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

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Sobre a insegurança

Acho que as imagens que crio na minha cabeça são fruto de uma insegurança generalizada que se apossa de mim me impedindo de ser feliz por completo. Por que de alguma forma eu sempre penso que a qualquer momento vou ser abandonada e passarei todo meu tempo trancada em meu quarto ao som de Leonard Cohen, olhando pra janela sem enxergar o que tem lá fora. Eu sinto que a culpa é minha, que é possível concertar tudo de errado se eu for melhor, e quando eu for abandonada a culpa será minha. Isso somado aos anos de tentativas fracassadas torna o simples fato de viver um fardo pesadíssimo. Nem dormindo as imagens vão embora, as palavras e a agonia. Eu pulo da cama a ponto de explodir com o coração a ponto de rebentar o peito. Eu ouço... as palavras... todos os dias... 
Olho para o espelho, aquele reflexo continua lá. 
 O reflexo contra o qual lutei a vida inteira. 
 O dono de toda angustia. 
 Fecho os olhos e os esfrego com as mãos. 
Nada o tira de lá enquanto ele me tira tudo. 
Como eu gostaria de ser outra pessoa, mas não me deixam. Quando eu tento explicar soo tão ingênua, fútil, e idiota. Como o maluco no hospício, indigno de qualquer credibilidade. Até quando vou ser infeliz por conta dela? Por conta dessa maldita pessoa que escolheram para mim de quem não consigo me livrar? Me sinto como quem grita no fundo de um poço mas ninguém consegue resgatar. Alguns dias eu gostaria de me atirar no fogo e acabar com tudo isso. Ao contrário, envolvo pessoas na minha vida que sei que vão embora a qualquer momento, porque eu não basto nem a mim. Eu gostaria tanto de poder explicar como me sinto sem cansar os que amo. Sem soar ingrata. Deus, se eu não posso ser bonita eu quero ser invisível.


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

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Pela desmistificação do ciúme

(Para ler ao som de Dido - Don't leave home) 

 Já ouvi muita gente dizer que ciúme não é sinal de amor. Eu, como boa mulher com ascendência em escorpião, sou um poço de ciúmes sem precedente, mas nunca consegui ser ciumenta com o que eu não amo. As pessoas tendem a esconder que sentem ciúmes, com o tempo aprendi a não reprimir este sentimento e hoje posso confessá-lo em alto e bom. Sou livre para expressar minha possessão sobre tudo aquilo que julgo meu: sejam MEUS amigos, MEU irmão, MEU namorado, MINHAS banda favorita, MINHAS roupas... 
 Quem diz que não sente ciúmes ou está mentindo ou é um forte adepto do desapego. Estudos apontam que o ciúme é tão poderoso que muda a forma com a qual nos enxergamos perante aquilo que nos enciúma. Há diversas formas de reagir a esse sentimento tão forte: alguns ficam agressivos, outros abrem o berreiro, alguns ficam apáticos, outros se vigam... Particularmente reajo primeiramente com frieza esperando por uma revanche e como diria Marina and the diamonds ‘’te deixo antes de me deixar’’ . Sim, algumas pessoas são muito sensíveis e se sentem ameaçadas. Porém, o problema mesmo é quando o ciúme desaparece, significa que aquilo deixou de ter tanta importância na sua vida. 
Mas é claro que há uma linha muito tênue entre o ‘’silmes’’ e a psicopatia. Ter ciúmes da mãe do namorado te faz parecer um serial killer. Agredir um fã da sua banda favorita é pouco aceitável (será?). Soltar o cachorro em cima da namoradinha do seu irmão pode dar processo (algumas experiências que me ensinaram a me controlar melhor rs). Gritar porque sentaram na sua mesa na lanchonete da faculdade, chorar horas no banheiro por terem copiado a sua cor de cabelo... O ciúme exacerbado pode ser muito prejudicial para você e todos ao seu redor, aprenda a controlar e até lá lembre-se de manter distancia de pistolas, facas, socos ingleses e capinhas de celular com spikes.


quarta-feira, 31 de julho de 2013

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Como brasa viva

Eva foi a mulher que mais amei em todos meus anos de vida. Consequentemente não foi com ela com quem me casei e não divido com ela a conforto morno de uma vida a dois. Aliás, de morna Eva não tinha nada e se estivesse deitada ao meu lado nesse momento incendiaria o colchão. As vezes, quando estou só em casa e acendo um cigarro na varanda ainda consigo vê-la nas escadas, trajando apenas uma camiseta branca e calcinha vermelha com um exemplar de Great Gatsby nas mãos e os seios rijos acompanhado o movimento do corpo ao descer os degraus. O que Eva mais gostava de fazer era ler, e em segundo lugar sexo. Ela se confundia entre seus prazeres e era fácil imaginá-la numa vida de orgia com todos os seus autores favoritos tendo orgasmos literários. Uma noite com Fitzgerald entre os lençóis do Ritz, transando com Kerouac no banco traseiro de um Hudson roubado, chupando Hemingway entre um gole e outro de vinho, cavalgando em Bukowski num hotel barato de L.A.. Eva tinha um jeito levemente estabanado mas muito languido que fazia você se apaixonar por ela quando ela bem entendesse. Quando ela estava ao meu lado todos os dias eram verões intermináveis e ela aquecia os dias mais frios e garoava sob o sol escaldante. Tudo nela se tornava um grande delírio porém com poucos, ou talvez nenhum mistério. Gostava das coisas como eram e deixava seus sentimentos transparecerem, detestava indireta mas era, na maioria das vezes, confusa. Um dia ela me abandonou. Assim. Simplesmente. Se levantou do quarto pela manha, juntou suas coisas, e deixou sob o criado mudo um papel: "Te amo mas tenho que ir embora. Preciso me encontrar e te deixar ser. Aqui não é o meu lugar, mas sempre vou me lembrar de você. De sua Eva.". Após meses de bebedeira minha esperança de vê-lá voltar ou ter uma mínima noticia de seu paradeiro se esvaiu. Se podássemos comparar as pessoas com animais Eva era uma águia livre e eu um perseverante jabuti. Me refiz, me situei, e aprendi a viver com a falta dela. Alguns anos depois conheci a mulher que seria minha esposa e passaria por tudo comigo, uma moça serena e doce que poderia muito bem se chamar "Ave" e não passava de um mero colibri. Um belo dia recebo em meu emprego um cartão postal de algum lugar da América do Sul "Sinto sua falta nas noites de setembro. Eva." Essas coisas eram a cara da Eva, e onde ela estivesse sabia que eu sentia sua falta também. Mas não a amava mais. Sorte a nossa.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

13 julho de 1999 

 Marcelo, 

 Aqui estou eu, com caneta e papel em mãos, para escrever essa carta que provavelmente nunca chegará até você. No auge da minha covardia eu vou guardá-la no fundo da última gaveta do criado mudo e daqui há alguns anos, vou encontrá-la em meio a roupas que não me servem mais porém tenho um carinho especial. Depois de reconhecer o envelope e do que se trata vou fixar meus olhos no papel levemente amassado e tentar focalizar seu rosto em meio as minhas memórias gastas. Estou escrevendo mais para meu futuro "eu" que será capaz de perder o fôlego rindo desta situação, porém, hoje, é sobre você. 
 Nos dois sabemos que te subestimei. Me julguei tão superior que esqueci de averiguar as rachaduras em minha fundação. Então, de repente, assim como água que inunda, você se infiltrou em cada fresta, tomou espaço e agora o que que eu faço? Nós dois sabemos que subestimei minha capacidade de gostar de alguém. E me achando uma super mulher com o coração de aço permiti que você se aproximasse acreditando que minha armadura fosse mais forte que a sua doçura. Pobre de mim, com uma fraqueza tão ínfima quanto a carência. Fui golpeada, primeiro com um beijo, depois com toda sua tormenta.
 Os dias com você tem sido aquilo ao que me apeguei. Mas cada hora a menos é um lembrete de que em breve você vai me deixar sem nenhuma intenção de volta. Nada disso foi planejado, alias, havia sim um plano que saiu todo pela culatra. Fiz uma série de concessões que mudaram seu lugar de importância em poucas semanas. Sim Marcelo, quando você me perguntou se eu estava gostando de você e eu neguei, eu estava falando a verdade! Mas a verdade se modifica, e de repente o "não vou te beijar" se tornou "só mais um beijo e nada de sexo" que ligeiramente passou a ser "só mais uma vez mas você não dorme aqui" para finalmente eu te prender entre minhas pernas para não te deixar ir. 
 Você vai embora e eu vou sentir sua falta por um tempo. Eu me remexo na areia movediça e isso só faz com que eu afunde mais rápido. Mas ainda tenho fé em mim e já me reergui de sentimentos muito maiores do que uma carência suprida. E quando eu te ver de novo você vai voltar a ser "só mais um menino". Por um tempo vou ter que me espremer entre os lençóis pra conter o ciúmes que eu sinto da sua vida sem mim. Até que aquela queimação no estômago seja apagada pelas águas da aceitação. Só que eu tenho que confessar que eu não quero ir a lugar algum enquanto você estiver por perto. Eu tenho que correr contra a sua direção mas minhas pernas me traem, minha maturidade se esvai e então volto a ser uma garotinha. Só me sinto viva com você, mas minha ressurreição é certa Marcelo. 
 Quando seus planos se concretizarem, todos aqueles que você me confidenciou mas dos quais não participarei, espero poder observar mesmo que de longe e ficar feliz por você. Feliz por todos os seus amores. Feliz pelo o que você aprendeu. E feliz por um dia ter te conhecido. E por fim, espero que você se lembre de mim em nossas coisas favoritas. Espero que você cultive essa parte minha que vai embora com você, todo meu entusiasmo e intensidade. Espero ter feito alguma diferença na sua vida. 

 Ps: vou sentir sua falta 
Ps 2: seus pés estão gelados agora, e você está tão cansado que nem se mexe enquanto afago seu cabelo, você é a coisa mais linda enquanto dorme. 


 Da sua, Eva


terça-feira, 11 de junho de 2013

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Vantagens e desvantagens do álcool

Bem, para dar uma reavivada no blog eu decidi contar para vocês, meus caros miguxos, uma das minhas singelas experiências envolvendo (nesse caso, não envolvendo) meu companheiro de aventuras. Há pouco mais de uma semana fui obrigada a parar de beber por conta de um(ns) tratamento(s) e, em pouco tempo, puder sentir os “efeitos colaterais” da falta de um bom e velho amigo, o álcool. Não se trata de uma crise de abstinência (afinal não sou alcoólatra rsssss) e sim uma série de eventos sociais e psicológicos que te mantém muito mais apegado as bebedeiras do que se pode imaginar. Você bebe pra esquecer ou para comemorar nesse mundo onde todos os caminhos te levam para o bar muito cedo. Assistindo de fora todas aquelas interações onde meus amigos bêbados riam, brincavam e as vezes pareciam se comunicar telepaticamente, decidi listar aqui algumas de minhas percepções das vantagens (ou desvantagens) do excesso de bebida com o olhar crítico porém apaixonado de uma amiga um tanto dedicada. 
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 1- Beber te ajuda a socializar (e a dançar funk)
É certo que nem todo mundo utiliza, com força total, esse poder que o álcool oferece, até porque muita gente que bebe já é desinibida de natureza. Porém os mais tímidos só conseguem manter um diálogo e se desapegar das monossílabas depois do terceiro ou quarto copinho de cerveja, e mesmo os mais lindos e graciosos tagarelas se apoderam de uma desenvoltura capaz de arrebanhar multidões. Pare e pense: sempre tem um na sua turma, que quando bebe, sai pelo bar a fora fazendo amigos de infância e despertando curiosidade nos solteiros de plantão (e freqüentemente, pagando um miquinho básico também). 
 2- Qualquer lugar fica mais interessante se você estiver bebendo 
Se você mora numa cidade com OPÇÕES de botecos e boates respeitáveis esse tópico talvez não faça muito sentido pra você, afinal se algum rock não está muito bom você pode tentar outro. Porém, quando se vive em uma cidade onde se tem apenas praças, casa de amigos e aquele boteco que você vai de quarta a domingo, se alcoolizar é uma arma preciosa. Imagine ver as mesmas pessoas, os mesmos casais, a mesma bandinha de covers todos os finais de semana? É como viver num déjà vu! Sendo assim, beber ajuda a CRIAR alguma história para contar para seus netos. Pagou 150 dinheiros para entrar na festa e não está lá como você esperava? Mande cachaça pra dentro e amanhã descobrirá que se divertiu mais do que pode lembrar.
3- O álcool eleva sua auto-estima (mesmo que por pouco tempo)
 Você se produziu todo pra balada e ainda não está se sentido gostoso suficiente? Experimente virar algumas doses de pinga com limão e se olhe de novo no espelho. Tá vendo esse reflexo? Não é o Brad Pitt (nem a Angelina) é você meu caro amigo! A partir desse momento você irá experienciar um milagre que talvez nem o Ivo Pitanguy poderia ter feito por você! Essa belezura está livre pra ‘chegar chegando’ em todos os possíveis parceiros sexuais da noite. Até porque, de repente, todo mundo se torna um possível parceiro sexual e você acaba de notar que aquela gordinha com um vestido dois números menor tem os olhos lindos! No outro dia, vendo suas fotos em poses sexuais você perceberá que talvez a imagem do Faustão cagando fosse bem mais atraente que você e o tribufu enrolado em fita isolante do seu lado. 
Esta singela montagem é uma prova de como nos sentimos sexys quando estamos bêbados, mas na verdade não.

 4- Encher a cara te proporciona uma bravura digna de super herói
 Sabe o que Cristovão Colombo, o Homem dos Tanques e o padre do balão tinham em comum? Estavam todos bêbados. Brincadeira. Mas é mais ou menos essa freqüência que sua coragem adquire quando você entorna demais o caneco. Daí fica fácil enfrentar o maromba de 120 quilos da sua academia, furar piercing no septo, se declarar pra mulher de policial, atravessar avenida de olho fechado, raspar o centro da cabeça... Sabe aquela sua foto forçando o bíceps? Você pode não se lembrar, mas naquele momento se sentia o Hulk. 
 5- A bebida te ensina lições importantes (que você teima em não aprender) 
 Não há nada mais doloroso que uma ressaca daquelas que não te permite ao menos levantar da cama. Mas se refletirmos numa ótica mais romântica, todo esse sofrimento também tem seus lados positivos como: te aproxima de Deus fazendo você rezar incessantemente e prometer em vão que não vai mais beber; te ajuda a perder um quilinhos, afinal nada para no seu estomago; te aproxima das pessoas, porque todo mundo quer rir do seu estado deplorável, te contar o que você fez noite passada ou compartilhar aquele vídeo de você correndo no meio da rua com as calças arriadas. 
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 É isso pessoal, para comemorar a volta do meu blog virem uma Tequila por mim. Bye bye. 


quinta-feira, 18 de abril de 2013

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Vênus em transe

_Olha, me passa essa vodka e escuta porque não, eu não terminei de falar com você. – Eu te encarava como quem fulmina alguém,o problema é Vênus em transito com escorpião e eu querendo te sugar pra dentro da minha urgência. _Não, o negócio não é você com outras mulheres, o problema é eu não conseguir ignorar o que me incomoda sem te deixar perceber. – Você desviava o olhar como quem quer e não quer saber, louco pra eu terminar e a gente continuar bebendo sem resolver a confusão em que eu chafurdava e você nem notava que também estava preso. _ Abaixa esse Frank Sinatra eu quero que você me ouça e sinceramente não acho que o velho Frank tenha algo a ver com isso – Eu virava o rosto e tragava o cigarro contra o toca disco no banco da frente do seu carro. _Me lembro dos detalhes de nós dois e muitas vezes eu me confundo se aconteceu ou se eu simplesmente idealizei porque eu quis tanto, tanto ser tua e acabo poetizando mais do que sentindo. Cara, eu não consigo esconder o ciúmes que sentia e dava minhas crises de loucura menos como Suzanne e mais como Nancy Vicious. Lembra aquele dia que te levei pra mijar comigo só pra você não chegar perto daquelas gurias na distribuidora de bebida? – Você deu uma risada confirmando a lembrança e eu adicionei _Dá um desconto, eu tava bêbada pra caralho haha. – Eu me virei e encarei o para brisa cansada de falar sem vírgula ou ponto final e a cabeça embaralhada por vodka, cigarro sua presença carregada e aquelas palavras vindo a tona._Porque a gente não ficou junto? – Ouvi sua voz pela primeira vez e aquilo me encorajou a abrir mais minha boca grande e te engolir com aquelas palavras ou simplesmente jogar na sua cara cada minuto daquele dia que eu esperei você resolver seu problema com uma piranha na frente do bar. _Por que você foge! Porque se eu estou aqui você foge, porque você só me quer quando sabe que não pode ter. Mas não te culpo, nunca te culpei, com tanta mulher serena que só tem a acrescentar porque escolher justamente aquela que queima transformando tudo o que toca em cinzas. Todo dia eu enlouqueço um pouco mais, e você também. Arriscar poderia doer mais do que qualquer platonismo. Juntos conquistaríamos o mundo ou não duraríamos muito tempo. Libra com ascendência em escorpião, eu sei dos meus extremos e sei que não posso te equilibrar. _Nunca soube bem se era eu que você queria ou o que você pensava que eu fosse. – Suas palavras quase me fizeram voar em cima de você, te abraçar e dar um basta naquele assunto ou te socar na boca do estomago querendo dizer quem-você-pensa-que-é-pra-achar-algo-sobre-mim. Fechei os olhos. _Eu sei do que eu gosto, do seu cabelo que brilha na luz do poste assim como no sol, do seu jeito de galã fingido com tudo e todos, de quando você pega o violão pra tocar Johnny Cash, do seu beijo de quem sabe o que está fazendo, ter que te redescobrir a cada dia e de achar que sei e não saber nada, nada, nada sobre você. _Talvez você se decepcione quando descobrir. _Como se você não soubesse que a dúvida me machuca mais do que a decepção. Não sei se terminamos aquilo com um beijo, com um olhar cúmplice, concordando ou discordando. Não sei muito sobre a gente, nunca soube. Nós éramos puro impulso se tornando algo amorfo. Talvez eu tivesse ficado ou mudasse para Armênia, talvez você se apaixonasse por mim tanto quanto sugere sua literatura, talvez a gente tivesse sido alguma coisa, mas muito distante de qualquer conto de fadas e menos glamuroso do que Zelda e Scott Fitzgerald. Embora, faça muito sentido que eu vá parar num manicômio e você morra do coração enquanto pensam que você está bêbado demais pra levantar.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

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Carta para uma parte de mim

Alcance-me e me toque, eu estou bem aqui. E eu não quero procurar mais Eu realmente quero ser sua amiga para sempre Amiga até o fim da sua... Oh! (Laura - Girls) Eu sei que você não se lembra de ter me visto com a mão queimada pelo ferro de passar roupa aos cinco anos. Sei também que você não me viu usando um tampão de olho aos sete quando um lápis quase perfurou minha cabeça. Eu não te vi apanhando por ter jogado carvão na casa do vizinho. Eu não te vi com um cabelão quase batendo no joelho. Sei que não brincamos de casinha, não dançamos ballet, não fomos ao circo juntas. Eu estou na sua vida há mais ou menos dois anos e meio, e mesmo assim você ainda levou um tempo pra me aceitar nela, mais um tempo pra me deixar participar, e outro para me deixar ser uma parte. E eu acabei gostando muito de ser um pouco de você. Eu adoro ser uma parte sua, assim como você é um dos meus pedaços que faltavam. Sim, eu a sou mais emotiva, a mais escandalosa, e eu disse “eu te amo” primeiro. Mas não pense que minha urgência em demonstrar o quanto eu sinto por você desmerece o tamanho do meu sentimento. Eu tinha certeza quando disse a primeira vez. Eu tinha certeza ontem. Eu tenho certeza agora. Eu sei mais do que ninguém o quanto você significa pra mim, e que ninguém mais toma seu lugar. Nesse pouco tempo já podemos escrever um livro contando nossas histórias. Debatemos assuntos sobre vida, morte entre outras futilidades. E ainda vamos viver tantas coisas, compartilhar tantos momentos, desligar a musica de tantos DJs meia boca, pensar em pular de tantos prédios, arquitetar tantos outros planos mirabolantes, segurar as mãos enquanto uma chora, e segurar os cabelos enquanto a outra vomita. Eu só quero que você saiba mais uma vez, que não é porque nossos afazeres tem nós distanciado que você vai deixar de ser minha melhor amiga nessa cidade. Eu sei que a gente vai se criando com o tempo, conhecendo novas pessoas e lugares e absorvendo o que faz bem, excluindo o que faz mas, e nos moldando pelo caminho. Você era uma das partes que eu precisava encontrar para ser mais eu, e para me dar rumo nessa vida onde eu tô só de passagem e já estou perdida. Eu sinto uma imensa necessidade de não te deixar esquecer o quanto você é importante pra mim, e que eu estou aqui pra você, e sei que você está ai pra mim. Esse pequeno desabafo é só pra que você saiba que eu te amo de qualquer jeito Migs. PS: Não vou mais embora da cidade, vamos hoje pra night haha.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

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Sobre a falta

Now all your love is wasted, then who the hell was I? I mi... Eu sinto falta do Gary. Ele nunca mais miou/falou/coaxou ou sei lá. Não da pra saber muito de um sapo que mia como um gato e tem o nome de um caracol, exceto que ele me amava. Eu sinto falta de usar sua calça de pijama xadrez para dormir nas noites de chuva. Ou quando o ar condicionado gela demais, mas eu estou com muita preguiça de desligar. Sempre que eu chorava com vontade de te ter por perto eram aquelas calças de flanela que eu usava enquanto abraçava as pernas como se te apertasse. Eu sinto falta de conversar e rir a madrugada inteira. Até se dar conta de que o sol esta raiando para mim e é muito tarde para nós dois apesar do fuso horário. Será que é tão tarde assim pra nós dois? Que vontade eu tenho de te ligar no meio da minha madrugada e falar com o sotaque mais carregado do mundo e o coração prestes a explodir o quanto eu quero o nosso amor de volta. Eu queria poder dizer que eu faria qualquer coisa. Eu queria poder renunciar a mim, mas não dá. Você odeia quem sou sem o seu controle. Mas então quem eu era? Who will love you? Who will fight? Who will fall far behind?


quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

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Apesar dos pesares

Ter alguém se apaixonando por você não é ruim. Ruim é começar a amar sozinho enquanto o outro apenas se apaixona. Ruim é quem confunde amor e paixão e te ilude ao mesmo tempo que se desilude. Ruim é o pra sempre que terminou, o futuro que não concretizou, as promessas que não se cumpriram e ver que a eternidade do outro era coisa de momento. Triste não é ver quem se ama ir embora. Mas se lembrar das tantas vezes que ele prometeu que nunca te abandonaria. É escutar o famoso "eu sempre vou te amar" ecoar quando as palavras já perderam todo o significado. O fim não é complicado. Complicado é não enxergar um recomeço agora que o outro se foi. É se livrar das camisetas, dos livros, das fotos. Complicado é queimar as pontes, deletar o numero da agenda, mesmo que se saiba de cor. Difícil é suportar a mágoa que se instala. Não conseguir mais manter se quer um diálogo sem que isso tudo acabe em briga, e um jogando na cara do outro os erros que não podem mais ser concertados. Indiretas não são mais necessárias pois a dor é tão forte que te obriga a falar na cara. Insuportável é o orgulho ferido. Lembrar das mentiras e continuar com aquele 'eu te amo' falso gritando em sua cabeça. Mas o pior de tudo, o pior mesmo, é se sentir enganado por tudo e todos, inclusive si mesmo que ainda teima em amá-lo, apesar dos pesares.


sábado, 12 de janeiro de 2013

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Oração do hoje pelo ontem

Vejo o fim dando certo para mim. Reconheço a pedra que não quis por sobre nossa fábula então optei por carregá-la, sozinha. Se você não queria virar história porque entrar na vida de quem a escreve? Não falo agora de dar a volta por cima, ou não estaria escrevendo sobre você as 16:30 em uma sexta feira com poeira nos olhos. Mas confesso que me doi mais a sua ausência que tua presença violenta. O teu silêncio que tuas palavras cortantes. Que o céu abençoe nossa roda de samsara e nossas imperfeições. E que alivie nosso carma ruim. Que as coisas mais lindas brilhem através do escuro que você deixou, e que músicas ecoem nesse vazio. Essa sou eu vazia porque estou completa. Amando porque posso também odiar. Te querendo no ontem distante, colapso de tempo e espaço. Um pouco de maldade. E que o céu abençoe nossas almas fracas e teu amor pouco.