terça-feira, 27 de agosto de 2013

0
Azedume

Desligou o telefone. Na mente dela não havia muito além das coisas ruins que ela vinha fazendo nos últimos dias e a uma frase remanescente da voz no telefone que disse algo sobre seu café da manhã ainda estar em seu estômago apesar dela já ter almoçado. Aquela voz não queria machucá-la, o problema não é o que os outros dizem, mas o que ela faz com o que escuta. Pegou uma garrafa d’água na geladeira e se sentou em frente ao inimigo. As paredes sujas, o cheiro do banheiro e a porta trancada. Do quarto ecoava uma música muito tenra, uma canção de Cohen que contava a detalhes de outro amor mal resolvido enquanto ela encarava sua paranoia a encarando dentro do vaso sanitário ‘’And clenching your fist for the ones like us who are oppressed by the figures of beauty...’’. Pensou na Joplin,se ela realmente se sentia mal consigo mesma e se aquela música foi mesmo escrita para ela aquele foi um dos romances mais intensos e passageiros que o Chelsea já presenciou. Enfiou os dedos na garganta, no começo o incomodo era grande e os olhos marejavam de lágrimas, depois se acostumava com o vomito rápido e certeiro enquanto as lágrimas involuntárias escorriam pelo nariz. Ela não chorava, não tinha motivos, não naquele momento. Ela punha pra fora seu desespero, sua urgência, se Deus existia ele sabia QUE ELA NÃO ESTAVA BRINCANDO. Queria gritar, queria colocar para fora muito mais do que o que tinha dentro. Queria vomitar os anos de tentativa, as promessas não cumpridas, os planos falhos, tudo o que nunca chegou a ser e cada vez que o gosto azedo a tomava a boca ela tinha mais certeza de que queria morrer. Ofegante respirava abraçada ao vaso sanitário. Suas mãos gosmentas e fedidas com sua própria baba, baba porque saliva era muito bonito para o que se via ali. Encarou o interior do vaso, aquele bolo de comida que já não se distinguia mais, assim como sua cabeça confusa cheia de incertezas. Levantou-se do chão, os joelhos vermelhos e doloridos, o som da descarga se confundia com a suave canção de fundo. Estava se acostumando novamente com aquela velha rotina. A voz do telefone já não dizia nada. Bem, que se dane, pelo menos agora meu café da manhã não está mais no meu estômago.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

0
Sobre a insegurança

Acho que as imagens que crio na minha cabeça são fruto de uma insegurança generalizada que se apossa de mim me impedindo de ser feliz por completo. Por que de alguma forma eu sempre penso que a qualquer momento vou ser abandonada e passarei todo meu tempo trancada em meu quarto ao som de Leonard Cohen, olhando pra janela sem enxergar o que tem lá fora. Eu sinto que a culpa é minha, que é possível concertar tudo de errado se eu for melhor, e quando eu for abandonada a culpa será minha. Isso somado aos anos de tentativas fracassadas torna o simples fato de viver um fardo pesadíssimo. Nem dormindo as imagens vão embora, as palavras e a agonia. Eu pulo da cama a ponto de explodir com o coração a ponto de rebentar o peito. Eu ouço... as palavras... todos os dias... 
Olho para o espelho, aquele reflexo continua lá. 
 O reflexo contra o qual lutei a vida inteira. 
 O dono de toda angustia. 
 Fecho os olhos e os esfrego com as mãos. 
Nada o tira de lá enquanto ele me tira tudo. 
Como eu gostaria de ser outra pessoa, mas não me deixam. Quando eu tento explicar soo tão ingênua, fútil, e idiota. Como o maluco no hospício, indigno de qualquer credibilidade. Até quando vou ser infeliz por conta dela? Por conta dessa maldita pessoa que escolheram para mim de quem não consigo me livrar? Me sinto como quem grita no fundo de um poço mas ninguém consegue resgatar. Alguns dias eu gostaria de me atirar no fogo e acabar com tudo isso. Ao contrário, envolvo pessoas na minha vida que sei que vão embora a qualquer momento, porque eu não basto nem a mim. Eu gostaria tanto de poder explicar como me sinto sem cansar os que amo. Sem soar ingrata. Deus, se eu não posso ser bonita eu quero ser invisível.


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

0
Pela desmistificação do ciúme

(Para ler ao som de Dido - Don't leave home) 

 Já ouvi muita gente dizer que ciúme não é sinal de amor. Eu, como boa mulher com ascendência em escorpião, sou um poço de ciúmes sem precedente, mas nunca consegui ser ciumenta com o que eu não amo. As pessoas tendem a esconder que sentem ciúmes, com o tempo aprendi a não reprimir este sentimento e hoje posso confessá-lo em alto e bom. Sou livre para expressar minha possessão sobre tudo aquilo que julgo meu: sejam MEUS amigos, MEU irmão, MEU namorado, MINHAS banda favorita, MINHAS roupas... 
 Quem diz que não sente ciúmes ou está mentindo ou é um forte adepto do desapego. Estudos apontam que o ciúme é tão poderoso que muda a forma com a qual nos enxergamos perante aquilo que nos enciúma. Há diversas formas de reagir a esse sentimento tão forte: alguns ficam agressivos, outros abrem o berreiro, alguns ficam apáticos, outros se vigam... Particularmente reajo primeiramente com frieza esperando por uma revanche e como diria Marina and the diamonds ‘’te deixo antes de me deixar’’ . Sim, algumas pessoas são muito sensíveis e se sentem ameaçadas. Porém, o problema mesmo é quando o ciúme desaparece, significa que aquilo deixou de ter tanta importância na sua vida. 
Mas é claro que há uma linha muito tênue entre o ‘’silmes’’ e a psicopatia. Ter ciúmes da mãe do namorado te faz parecer um serial killer. Agredir um fã da sua banda favorita é pouco aceitável (será?). Soltar o cachorro em cima da namoradinha do seu irmão pode dar processo (algumas experiências que me ensinaram a me controlar melhor rs). Gritar porque sentaram na sua mesa na lanchonete da faculdade, chorar horas no banheiro por terem copiado a sua cor de cabelo... O ciúme exacerbado pode ser muito prejudicial para você e todos ao seu redor, aprenda a controlar e até lá lembre-se de manter distancia de pistolas, facas, socos ingleses e capinhas de celular com spikes.