Eu fui forçada para dentro da idéia de romance. Empurrada. Obrigada. Condenada. E por mais que eu tentasse fugir lá vinha a vida e dizia “eu nunca mais vou te presentear com um conto de fadas tão elaborado, então aproveite”. Quando nós nos separamos pela primeira vez ele havia construído um forte de colchões e disse “eu construí esse forte, agora você pode ficar aqui comigo e não precisa ir embora”. Eu chorei até chegar a Londres. Da segunda vez que nos despedimos eu me agarrei aos lençóis da cama, ele me deu um beijo na testa e disse “não chora, eu vou voltar”. Eu chorei de volta a Paris. E chorei voando pro Brasil. As lágrimas só cessaram quando eu percebi que era verdade. Ele voltou meses depois. Decidimos que ficaríamos juntos e eu ouvi “eu te amo” pela primeira vez, com aquele sotaque mais lindo.
Mas é fácil acreditar em romance nas ruas encantadas de Amsterdã, de mãos dadas em frente ao rio Tamisa, caminhando por Copacabana. Difícil é acreditar nisso tudo quando a camiseta que ele esqueceu aqui perde o perfume. Quando são 4 horas da manhã numa balada e você está bêbada e sozinha numa mesa no canto e tem um cara interessante-por-efeito-do-álcool te dando bola. É aí que eu fecho os olhos, respiro fundo, e volto a Amsterdã. Volto pra ele. Eu sei que não importa quanto tempo passe, quantas pessoas eu conheça e até mesmo quantos romances eu viva: Eu vou me lembrar da nossa história. Mesmo que meus filhos não sejam dele, e que eu viva outras centenas de coisas belas: É do sentimento que eu não vou me afastar. Porque ele me fez compreender o que é fidelidade, e me manda e-mails de madrugada dizendo que eu sou o mais perto que ele já chegou da alegria que sentia na infância, e graças a ele é tão mais fácil acreditar no amor.



